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Artigo

Nutrição e treino

O que é uma “dieta” hiperproteica? E quais os riscos?

Por Filipa Vicente

30.09.2020 | 0 Comentários | 0 Likes

Face à recomendação genética de 0,8g/kg de peso, podemos dizer que estas guidelines para a prática desportiva defendem uma alimentação hiperproteica. No entanto, é muito subjetivo dizer que 1,6g/kg é hiperproteico quando pode estar dentro do intervalo recomendado em relação aos 10 a 35% da ingestão energética.
Importa também destacar que a ingestão estabelecida na dietoterapia da doença renal pode ser tão baixa como 0,6g/kg de peso pelo que qualquer um dos valores recomendados neste enquadramento seria elevado.
No que diz respeito aos riscos de uma suposta “dieta hiperproteica”, até à data não estão comprovados quaisquer efeitos pejorativos de ingestões até 4g/kg em indivíduos saudáveis.
Não faz sentido, numa prática recreativa e num âmbito de promover saúde, incentivar uma ingestão proteica acima do estabelecido como suficiente (até 2,2g/kg) uma vez que não há qualquer vantagem.
Sendo a proteína um macronutriente que também contribui para a ingestão energética, os indivíduos que mantêm planos alimentares com elevada ingestão proteica podem ter de diminuir a ingestão de hidratos de carbono para manter a ingestão energética equilibrada. Adicionalmente, uma vez que algumas fontes proteicas são igualmente fontes de gordura, esta ingestão poderia implicar uma elevada ingestão de gordura.
Este perfil de padrão nutricional, pobre em hidratos de carbono e rico em proteína e gordura tem demonstrado ser prejudicial na saúde humana com aumento do risco de inúmeras doenças crónicas 5.

Nesse sentido, a ingestão recomendada de proteína para cada indivíduo deve ser definida em função de 3 fatores:
Da modalidade, se for uma modalidade estética que implique desenvolvimento da massa muscular é diferente das modalidades de endurance (corrida, triatlo).
Do nível competitivo e da fase da época uma vez que faz variar a intensidade, frequência e tipo de treinos.
Da composição corporal do atleta e do objetivo na sua otimização.

No próximo artigo vamos falar na importância do fraccionamento alimentar
considerado ótimo para recuperação muscular.


Referências
1 Dietary Guidelines Advisory Committee. 2015. Scientific Report of the 2015 Dietary
Guidelines Advisory Committee: Advisory Report to the Secretary of Health and
Human Services and the Secretary of Agriculture. U.S. Department of Agriculture,
Agricultural Research Service, Washington, DC.
2 Phillips SM, Chevalier S, Leidy HJ. Protein "requirements" beyond the RDA:
implications for optimizing health. 2016. Appl Physiol Nutr Metab. 41(5):565‐572.
3 Jäger, R., Kerksick, C.M., Campbell, B.I. et al. International Society of Sports Nutrition
Position Stand: protein and exercise. 2017. J Int Soc Sports Nutr 14; 20.
4 Phillips SM, Van Loon LJ. Dietary protein for athletes: from requirements to optimum
adaptation. 2011. J Sports Sci. 29 Suppl 1:S29‐S38.
doi:10.1080/02640414.2011.619204
5 SB Seidelmann, B Claggett, S Cheng, et al. 2018. Dietary carbohydrate intake and
mortality: a prospective cohort study and meta-analysis
Lancet Public Health 3: e419-e428.

Nutricionista 1369N
Filipa Vicente

Professora Auxiliar no Instituto Universitário Egas Moniz

Licenciada em Ciências da Nutrição (ISCSEM)

Doutora em Alimentação e Nutrição (Universidade de Barcelona)

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