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Artigo

Nutrição e treino

O ovo na alimentação dos miúdos e graúdos – Parte II

Por Filipa Vicente

30.06.2020 | 0 Comentários | 0 Likes

O ovo na alimentação dos miúdos e graúdos – Parte II
Filipa Vicente, Nutricionista
O processo de envelhecimento não pode ser evitado, no entanto o estado nutricional do indivíduo idoso é uma das oportunidades mais valiosas para a intervenção do nutricionista. Com a consciência de que há um conjunto de fenómenos característicos do processo de senescência, importa evitar os fatores ditos estranhos ao envelhecimento e que podem ter um impacto negativo na saúde e na qualidade de vida do indivíduo.
Um desses fenómenos é a perda do tecido muscular, a sarcopenia. Estima-se que há uma perda de 3 a 8% de massa muscular por cada década a partir dos 30 anos e no idoso esta perda está associada a maior risco de quedas, perda de capacidade funcional, maior dependência de cuidados e maior mortalidade (1,2). Ainda que a sarcopenia possa ser influenciada e agravada por fatores intrínsecos ao indivíduo, o estilo de vida parece ter um papel de destaque na sua prevenção e retardamento sendo a alimentação uma oportunidade de intervenção de excelência. A ingestão proteica tem vindo a ser considerada um dos alvos de maior importância uma vez que as  necessidades proteicas são acrescidas no indivíduo idoso e nem sempre é atingida a recomendação para esta faixa etária (1,2g/kg de peso) (3,4). Em Portugal, estima-se que 48% dos idosos não atinge sequer 1g/kg de peso/dia (5). Há vários fatores comportamentais para a redução da ingestão de proteína na alimentação do idoso sendo possível destacar sobretudo de natureza económica uma vez que há um menor poder de compra para carne e peixe . Importa também salientar
que é normal a redução do apetite ou, devido à solidão, a menor disponibilidade para fazer uma das refeições (normalmente o jantar) a par da menor qualidade de escolhas alimentares por exemplo no lanche . Por esses motivos, é importante encontrar soluções práticas e equilibradas para combinar com jantares característicos como torrada e chá ou sopa e fruta.
O ovo poderia ser, pelo seu baixo custo e elevada versatilidade, uma excelente opção nesta faixa etária.
As vantagens da inclusão do ovo estendem-se também à sua riqueza em:
Luteína e zeoxantina, fitonutrientes com elevada importância na saúde visual podendo contribuir para a prevenção da degeneração da mácula, um fator de risco para a perda de visão (6,7);
Ácido docosahexanóico, um ácido gordo da família ómega 3 que parece relevante na saúde do sistema nervoso nomeadamente como neuroprotetor (8), mas também da função  muscular (9) e da própria acuidade visual (10);

Referências
(1) Cruz-Jentoft AJ, Baeyens JP, Bauer JM, et al. Sarcopenia: European
consensus on definition and diagnosis. Age and
Ageing. 2010;39(4):412–423. Article ID afq034
(2) Janssen I, Shepard DS, Katzmarzyk PT, Roubenoff R. The healthcare costs of
sarcopenia in the United States. Journal of the American Geriatrics
Society. 2004;52(1):80–85
(3) Alexandrov NV, Eelderink C, Singh-Povel CM, Navis GJ, Bakker SJL,
Corpeleijn E. Dietary Protein Sources and Muscle Mass over the Life Course:
The Lifelines Cohort Study. Nutrients. 2018;10(10):1471. Published 2018 Oct
10. doi:10.3390/nu10101471
(4) Kaiser M, Bandinelli S, Lunenfeld B. Frailty and the role of nutrition in older
people. A review of the current literature. Acta Biomedica. 2010;81(supplement
1):37–45
(5) Lopes C, Torres D, Oliveira A, Severo M, Alarcão V, Guiomar S, Mota J,
Teixeira P, Rodrigues S, Lobato L, Magalhães V, Correia D, Carvalho C,
Pizarro A, Marques A, Vilela S, Oliveira L, Nicola P, Soares S, Ramos E.
Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, IAN-AF 2015-2016:
Relatório de resultados. Universidade do Porto, 2017. ISBN: 978-989-746-181-
1. Disponível em: www.ian-af.up.pt.
(6) Bernstein PS, Li B, Vachali PP, et al. Lutein, zeaxanthin, and meso-zeaxanthin:
The basic and clinical science underlying carotenoid-based nutritional
interventions against ocular disease. Prog Retin Eye Res. 2016;50:34–66.
doi:10.1016/j.preteyeres.2015.10.003
(7) Eisenhauer B, Natoli S, Liew G, Flood VM. Lutein and Zeaxanthin-
Food Sources, Bioavailability  and Dietary Variety in Age-Related Macular
Degeneration Protection. Nutrients. 2017;9(2):120. Published 2017 Feb 9.
(8) Cole GM, Frautschy SA. DHA may prevent age-related dementia. J Nutr.
2010;140(4):869–874. doi:10.3945/jn.109.113910
(9) McGlory C, Calder PC, Nunes EA. The Influence of Omega-3 Fatty Acids on
Skeletal Muscle Protein Turnover in Health, Disuse, and Disease. Front Nutr.
2019;6:144. Published 2019 Sep 6. doi:10.3389/fnut.2019.00144
(10) Shindou H, Koso H, Sasaki J, et al. Docosahexaenoic acid preserves
visual function by maintaining correct disc morphology in retinal photoreceptor
cells. J Biol Chem. 2017;292(29):12054–12064. doi:10.1074/jbc.M117.790568

Nutricionista 1369N
Filipa Vicente

Professora Auxiliar no Instituto Universitário Egas Moniz

Licenciada em Ciências da Nutrição (ISCSEM)

Doutora em Alimentação e Nutrição (Universidade de Barcelona)

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