Política de privacidade

Estes dados são registados informaticamente e destinam-se única e exclusivamente para contacto por parte desta entidade.

Artigo

Saúde

O meu reino por um Ovo

Por Luís Filipe Borges

03.04.2020 | 0 Comentários | 0 Likes

A vida é fértil em ironia. A entidade conjugal, vulgo CEO da nossa relação, é um exemplo de lifestyle: vegana, frequentadora assídua do gym, não fuma, bebe tão pouco que dois copos de branco quase a iniciam numa carreira de fadista, amante de caminhadas, atentíssima às calorias, bebedora compulsiva de água (cada vez mais ouço falar deste misterioso líquido, tenho de experimentar um dia…). Pois bem, em 4 anos e meio de vida em comum já fui com ela 4 vezes ao Hospital, e sempre por razões diferentes.

Pausa para fumar um cigarro e provocar o karma.

Desta vez foram um pouco mais de 6 horas nas Urgências, numa visita motivada por dois dias de febre a escalar, dores profundas nas costas e enxaqueca. Pulseira laranja, tempo de espera estimado: uma hora. Foram mais de duas. Na sala de espera boas e más notícias: a má é que o sistema interno da instituição congratulava as pessoas doentes com a transmissão duma semi-final do Festival da Canção. A boa notícia é que os televisores estavam sem som. Num canto, um indivíduo a ressacar, noutro uma idosa em gritos lancinantes, um senhor com cabeça aberta e uma toalha de mesa ensopada em sangue, duas millenials leves e sorridentes – talvez a urgência seja que se acabaram os dados móveis a uma delas.

Ressonâncias, soro, exames, raio-x, 4 medicamentos prescritos, muita espera e tanta pergunta repetida depois, saímos. Há que pagar o parque. Estacionamento pago num Hospital público? Não admira que apreciemos tanto o Carnaval, se a própria Lusitânia gosta tanto de se mascarar dum país civilizado.

Como já sabia o que nos esperava, entre horas perdidas e máquinas de comida confecionada algures durante o ano da graça de 98, levei um tupperware de casa com 4 ovinhos cozidos. E mais uma vez a salvação esteve no alimento mais completo do mundo. E fico com ecos de Shakespeare a ecoar: “O meu reino por um cavalo”? Nah. Só se for por ovo a cavalo.

Um abraço carinhoso a todos os profissionais de saúde que literalmente fazem o que podem.

Comediante, Argumentista, Açoriano, Benfiquista (não necessariamente por esta ordem)
Luís Filipe Borges

Guarda-redes Amador

Nadador Incansável

Frequenta o ginásio com tremendo masoquismo

Gostei do artigo
0

Gostou deste artigo?

Partilhe com os seus amigos!

Deixe a sua opinião